terça-feira, maio 30, 2006

É como se a gente não soubesse
para que lado foi a vida
porquê tanta solidão

E não é a dor que me entristesse
é não ter uma saída
nem medida na paixão

Foi, o amor se foi perdido
foi tão distraído
que nem me avisou

Foi, o amor se foi calado
tão desesperado
que me machucou

É como se a gente pressentisse
tudo o que o amor não disse
diz agora essa aflição

E ficou o cheiro pelo ar
ficou o medo de ficar
vazio demais no coração

Lenine

domingo, maio 28, 2006

Avaliados por quem???

Sim senhor. Acho bem que sejamos avaliados pelos ilustres encarregados de educação dos nossos alunos. Que maravilha vai ser. Ah, mas eu também quero! Quero avaliar os pais no seu papel parental. Seria algo do género:
- Ora bem, senhor C., o seu filho ontem veio para a escola sem o pequeno- almoço tomado. Lamento muito, mas perante tal situação vou ter que por um menos na sua caderneta.
ou então
- Dona M., há quanto tempo não a via! Como tem passado? Sabe, a senhora faltou às 4 reuniões de pais que já se realizaram neste ano lectivo, e não deve ter reparado nos recados que o seu filho levava na caderneta para vir falar comigo. Com muita pena minha, não me resta outra solução a não ser dar-lhe uma nota negativa como mãe.
O que acham desta proposta?

sábado, maio 27, 2006

É uma versão

"(...) como explicares que um dia já não querias fazer a mesma viagem no mesmo barco, quiseste procurar outra distância e outra luz, ainda que tenhas sido tanto, tanto para ela, não só um amigo, que foste, queres acreditar
foste mais
mas não sabes hoje o quê, limitas-te a saber, sem qualquer álibi que te justifique que por vezes nos acontece outra luz, outro barco, outra deriva, e passamos a ver de longe o mesmo corpo, o mesmo corpo que um dia quiseste tanto e já não queres, como explicar-lhes, pedir-lhes que não apontem para ti, que não te acusem quando não sabem o que é, como explicares que um dia o amor, ou o que julgamos ser o amor, apaga-se, evapora-se, dilui-se (...)"

"(...) teremos sempre por defesa essa absoluta necessidade de nos perdoarmos
porque por vezes o que os outros pensam ser maldade, pensam ser glaciar determinação de cometer crueldade pode ser, pode ser
pode ser não mais que amarmos sem regras, demora às vezes uma vida percebermos que o amor não tem afinal regras, pode acontecer que o inferno nos guie por vezes, e sem darmos muito por isso estamos numa busca de selva, à procura de outra coisa, de outra coisa que nem sabemos bem o que é, que simplesmente se assemelha muito ao que já tivemos e queremos preservar, às vezes cometemos erros atrás de erros atrás de erros porque não aceitamos que o encanto terminou, que ficou só terra queimada, não temos já maneira de segurar (...)"

Mulher em Branco, Rodrigo Guedes de Carvalho

quarta-feira, maio 24, 2006

Segredo!


Hoje contei-te um segredo.
Sei que o vais guardar e não me desapontar. É bom saber que posso contar contigo.
Guarda-o bem, amigo!

segunda-feira, maio 22, 2006

A Florbela que tape os ouvidos...

Hoje só me apetece aparvalhar. Estou com umas ganas de falar mal. Falar só por falar. Também, posso fazê-lo porque a minha família não conhece este meu canto de reflexão.
Merda para isto tudo. Hoje apetece-me mandar tudo à merda. A escola e os seus problemas, a escola e os meus problemas, o meu coração idiota. Tudo. Foda-se. Há dias que não devias mesmo sair de casa. Merda para isto tudo.
Pronto.
Acho que já me sinto um bocadinho melhor. Eu não sou nada disto, mas se na sexta deu-me pra' li hoje está- me a dar prá' qui.

sexta-feira, maio 19, 2006

Deu-me para isto...

ANSEIOS

Meu doido coração aonde vais,
no teu imenso anseio de liberdade?
toma cautela com a realidade;
meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
a doce quietação da soledade?
tuas lindas quimeras irreais,
não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meio seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!...

Não' stendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar

Trocando Olhares, Florbela Espanca


AMAR!

Eu queria amar, amar perdidamente!
Amar, só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Charneca em Flor, Florbela Espanca

quarta-feira, maio 17, 2006

As minhas quartas feiras

Já não dispenso o ritual das 4ªs feiras. Por volta das 10, 11 da manhã lá vou ao encontro marcado com o bugio- para quem não sabe chama-se Fortaleza de S. Lourenço da Cabeça Seca- que nunca me desaponta e está sempre lá, à minha espera. Eu olho para ele de longe e ele acompanha-me por todo o caminho.
É uma sensação de liberdade, correr ou andar por aquela avenida, com o sol como meu aliado e pensar por instantes que não preciso de mais nada para ser feliz. É assim que me sinto nessas manhãs.

17 de Maio de 2003

Hoje "comemoro"o meu 3º aniversário de casamento.
Não há prendas.
Não há bolo.
Não há champanhe.
Há tristeza, há desilusão, há paredes brancas, vazias.
Há duas pessoas separadas que há 3 anos atrás partiam para uma viagem que se queria para sempre. Há um coração culpado e outro magoado.
Há medo. Muito medo.

Mas há também alguma esperança.
Há respeito e amizade.
Há compreensão.
Há uma vida à nossa frente.
Há escolhas que se fazem. Nem sempre as mais sensatas mas tomo-as em consciência.
Há um caminho desconhecido que se irá revelar...

(in)segurança nas escolas

Qualquer dia tenho de ir trabalhar assim !

quarta-feira, maio 10, 2006

O Coração tem sempre razão

Faz precisamente hoje um mês que não vinha aqui. A montanha russa ainda não terminou a viagem (e tenho um pressentimento que, conhecendo-me como me conheço, tão cedo não irá terminar) estou numa fase de reaprendimento - existe esta palavra?? É giro, mas às vezes assusta. Assusta ter consciência daquilo que se quer e não o conseguir pois dessa maneira não se consegue ser feliz. Parece complicado? E é!
O coração tem sempre razão, diz a Alfa Romeu. Confesso que adoro esse anúncio e eu sigo sempre o meu. Para o bem e para o mal!