Deu-me para isto...
ANSEIOS
Meu doido coração aonde vais,
no teu imenso anseio de liberdade?
toma cautela com a realidade;
meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
a doce quietação da soledade?
tuas lindas quimeras irreais,
não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meio seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!...
Não' stendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar
Trocando Olhares, Florbela Espanca
AMAR!
Eu queria amar, amar perdidamente!
Amar, só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Charneca em Flor, Florbela Espanca
Meu doido coração aonde vais,
no teu imenso anseio de liberdade?
toma cautela com a realidade;
meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
a doce quietação da soledade?
tuas lindas quimeras irreais,
não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meio seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!...
Não' stendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar
Trocando Olhares, Florbela Espanca
AMAR!
Eu queria amar, amar perdidamente!
Amar, só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Charneca em Flor, Florbela Espanca

1 Comments:
Decididamente Florbela Espanca era muito à frente.
Gosto especialmente do segundo poema.
Bjs***
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