quinta-feira, outubro 26, 2006

No meu diário

23h 31m 25 Outubro 2006
Que enorme noite!
Fui à Biblioteca de Oeiras. Acabei de chegar. Não podia deixar as notas adormecerem.
Convidado: António Lobo Antunes
Nunca li um livro dele. Só algumas crónicas. Mas já tinha lido algumas entrevistas e estava curiosa. Gostava do que lia acerca dele e... todas as expectativas foram completamente superadas. Este homem é genial. As histórias saem da sua boca como abelhas da colmeia. Histórias de pessoas, de famílias, de gente. Histórias de humor genuíno, puro, sarcástico, negro, enebriante. "Descobri o que era a poesia quando vi um grande poeta que morava perto de mim, a lamber um gelado (e encena o gesto!) em frente a uma montra de lingerie cheia de soutiens de renda. Para mim isso passou a ser a Poesia"
Foi também o lançamento público do seu novo livro e, segundo o autor, o mais auto-biográfico até agora. Nele se fala de emoções, de sentimentos e não de factos como no início da carreira. Diz que os factos não têm o poder biográfico dos sentimentos. Se ele diz, eu acredito.
Nunca lê os livros que escreve, não tem o distanciamento necessário, mas "hoje dei por mim a ler duas páginas do meu livro e fiquei surpreendido... é muito bom!" ( riso geral na sala).
"Um bom livro é aquele que nos chama na estante. Quando todos os outros dormem, aquele está acordado. Chegamos à estante e estão a Rita Ferro e o Sousa Tavares (eu até gosto dele) a dormir e há um que me chama (...) Os editores às vezes lançam livros cá pra' fora muito bons- enganam-se!!!!" (riso).
Diz Lobo Antunes que este novo romance responde à pergunta- como é que a noite se transforma em manhã?- Vou ter de descobrir.
Pelo meio de tantas histórias e algumas ideias geniais, deixo só mais três:
a) " Nem sempre é a mulher mais atraente da sala que se põe em bicos de pés"
b) " Um bom professor não é aquele que dá, é aquele que não tira"
c) A última história da noite "Dez anos depois do meu avô morrer, a minha avó disse-me:
- Não quero ser enterrada com o teu avô!
E eu fiquei admiradíssimo. Habituado a ver a fotografia dos meus avós, pendurada na parede da sala, ele sentado e ela em pé com um ar feliz. Perguntei porquê. Respondeu-me:
- Aquela fotografia foi tirada no dia a seguir à nossa noite de núpcias. Eu em pé porque não me conseguia sentar, ele sentado porque não conseguia por-se em pé. Agora imagina, com ele lá em baixo há 10 anos à minha espera..." (risos e palmas)
E com esta história terminou uma noite inesquecível que nem a louca das costas de cristal conseguiu manchar.
Obrigada António Lobo Antunes

quarta-feira, outubro 25, 2006

Lost in translation


Se a vida fosse vulgar
vulgar como a vida
que teima em querer pousar
sem bater nem perguntar
se pode entrar e é bem vinda.

Se a vida fosse tão simples
simples como aquela vida
que fica à espera, perdida
que alguém lhe mostre a saída
para uma vida mais vivida.

Se o amor fosse banal
banal como essa vida
que anda por aí, perdida
então não haveria o tal,
mas mil de seguida
numa vida sem sal,
se a vida fosse fácil e banal!
Ana

quinta-feira, outubro 19, 2006

Para os meus putos

23 entram sorrindo
23 saem eufóricos
entre os primeiros e os últimos
livres ideias voam
tão depressa como as suas palavras
as vidas caminham a par
das amizades que constroem.
Sustos se apanham
risos que contagiam
choro às vezes do nada
e mesmo assim, alegria
ainda é longa a caminhada...
23 são eles e elas
que dão vida às minhas tardes
às vezes o melhor dos mundos
que alimenta a minha jornada
outras terrível castigo,
mais amargo que limonada.
Para os 23 pequenos heróis das minhas tardes

domingo, outubro 15, 2006

É mais ou menos assim...

Eu, cada vez que vi você chegar
Me faz sorrir e me deixar
Decidido eu disse: Nunca mais
Mas, novamente estúpido provei
Desse doce amargo, quando eu sei
Cada volta sua,o que me faz
todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Vi o meu amor tratado assim
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais
Eu toda vez que vi você voltar
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Adriana Calcanhoto

Na livraria

sábado, outubro 14, 2006

PARABÉNS

Hoje quero desejar os parabéns a algumas pessoas que este fim de semana ficam mais sábias.
À Tina, pelos seus 53 anos e que bem os merecia ter passado com muito mais qualidade. E a quem eu peço desculpa por não lhe telefonar, mas ela sabe porquê. É mulher...
Ao caçula da família Fidalgo por 11 anos sem papas na língua.
Ao Vasquinho, o rapazito de lágrima fácil, pelos seus curtinhos 8 anos e que cresça feliz e um cidadão responsável. No que me compete, vou fazer por isso.
À Inês, pelos 3 anos que representam o nosso futuro com a sua maneira de viver a vida, rebelde, obstinada mas com uma colherada de mel.
Aos 2U por quatro anos a perseguir um sonho e a transmitir alegria aos outros.

sábado, outubro 07, 2006

o telefone toca...

Está a tocar
não atendo
é a vida que me chama
e não sei responder
será que um "tou" chega
"oi" ou "olá", não sei
é a vida a chamar e eu...
eu não sei o que lhe dizer

Que me espere e aguarde
como outras vezes o fez
que me acompanhe
neste descompasso
enquanto procuro algo
enquanto faço luto
sem cor, sem objecto
sozinha sem saber
quando será enterrado

Toca outra vez
a vida dá-me outra oportunidade
uma atrás da outra
nunca se esgotam
mas ainda não foi o momento
para entrar na viagem
este comboio não tem o meu nome
engano-me no caminho
faço desvios
corto caminhos
meto-me em atalhos

Entre o que foi
e o que será
perdi-me algures pelo caminho
sem ninguém que me proteja
daquilo que desejo!