sexta-feira, outubro 12, 2007

Filmes

Hoje à noite fiquei no sofá a ver televisão, coisa que já não fazia há vários dias. Apanhei o Prince Of Tides a meio e fiquei a ver apenas por uma razão. Vi-o há muitos anos atrás e lembrava-me da cena final em que num restaurante, os dois amantes (aqueles que se amam!) despedem-se tristes porque ele decide voltar a viver com a sua mulher e filhas. O diálogo é curto e simples e eu guardei-o desde aquela 1ª vez que o vi.
Susan- You love her more....
Tom- Not more, just longer.
E ela sorri com a resposta e ficam o resto da noite abraçados a dançar. No final Tom tem um monólogo em que lamenta que a vida não nos dê uma oportunidade de vivermos 2ª vez para aproveitar o que de bom nos oferece. Fascina-me. Eu não acredito em amores únicos de uma vida. Pode haver amores mais fortes, que durem mais, com mais paixão, com mais ternura, mais carnais, mais sentimentais, mas só um eu não acredito. Ao longo da vida temos a sorte de nos cruzar com pessoas tão diferentes, tão interessantes, que é difícil não nos cativarmos um dia por uma delas. Podemos ser casados, solteiros, amantes (aquele que anda com o homem/mulher alheio!) o que for, podemos amar muito a pessoa com quem estamos, que um dia é natural sentir algo mais forte por alguem que se cruza connosco, uma atracção, uma paixão, um encantamento, um amor diferente. É provável que aconteça. E aí vamos lamentar não viver duas vidas ao mesmo tempo... Porque não é errado gostar, sentir, amar. Eu não sei bem o que é errado nestas coisas do coração!
Sempre apreciei mais as histórias de amores desencontrados, desfeitos que os romances cozinhados com receita à vista. Uma das minhas preferidas (e a que mais me faz chorar cada vez que vejo) é As Pontes de Madison County. Para quem já viu, a cena em que Francesca na carrinha do seu marido, parada no semáforo, põe a mão no puxador e hesita entre abrir e viver um grande amor e o ficar e dedicar-se à família é de loucos. Estou arrepiada só de pensar nessa cena. Robert está parado no semáforo à frente da carrinha onde está Francesca, o sinal fica verde, ele espera por ela e eu mais uma vez grito para ela saltar da carrinha e ir viver o que nunca viveu . O marido buzina, ela chora porque sabe que é a vida dela que está naquele momento a virar para a esquerda e ela perde-a de vista. Não há mais romântico que isto. Nem mais triste. Já o vi vezes sem conta e choro e grito à Francesca cada vez que o vejo. Pode ser que um dia ela me oiça.