65
Idade de ouro!
Hoje é o aniversário do meu Pai. Um Pai que sempre foi um exemplo de integridade, valores e dedicação ao trabalho. Sempre olhei para ele com orgulho, com respeito e, confesso, por vezes com medo. Não é uma pessoa de trato doce, não têm mel as suas palavras. Com o passar dos anos foi adocicando, grande mérito para o "meu irmão mais novo" que entrou há 4 anos na família e já arrancou mais gestos de carinho que toda a família ao longo da vida. Este Pai às vezes deixa-me angustiada, por ver que perde faculdades motoras, a agilidade e a força com que me habituei a vê-lo a carregar compras para o 4º andar. E quando falo em compras não são saquinhos do Continente com um pacotinho de leite e outro de açúcar. Com o meu Pai é sempre tudo em grande... Makro e as suas paletes de leite, coca-cola, azeite.... tudo ele carregava, sem dificuldade e tudo ele hoje em dia carrega, sozinho, em suaves prestações de meia em meia hora. Continua a deixar-me angustiada a falta de palavras para tratar situações, emoções. Continua a deixar-me angustiada a falta de manifestações de carinho que se traduzissem em festas, beijos ou abraços. Um Pai que proporcionou aos seus filhos a Educação que quiseram ter, que sempre incentivou o gosto pela escola, pelo estudo, um Pai generoso em questões materiais, um Pai que chorou no casamento dos seus filhos mas que não soube traduzir por palavras tais sentimentos. Mas eu sei o quanto ele gosta de nós, à sua maneira, sem o dizer. Há coisas que não precisam de ser ditas, mas seria bem diferente se as ouvissemos. Acredito que podem fazer a diferença. Alimentam, confortam, dão esperança.
Ao fim de quase 33 anos continuo angustiada porque nunca disse olhos nos olhos ao meu Pai o quanto eu gosto dele. Que mesmo com todas as angústias e desequilíbrios emocionais que me provoca, não trocava este Pai por nenhum outro. Já o fiz numa carta que lhe escrevi este ano. Foi o mais íntimo que consegui... mas não me chega!
Parabéns Pai!

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home