PORQUE SOU PELO SIM
Tenho ouvido nos últimos dias um amontoado de idiotices que por vezes me deixa constrangida só de ouvir. É verdade!
Ontem, por exemplo, vinha a conduzir pela marginal às 9 e meia da noite e ouvi o tempo de antena de dois movimentos em defesa do Não. Alguns dos argumentos que oiço só não me dão vontade de rir porque o assunto é sério demais para isso. Senão vejamos:
- Eu sou contra o aborto porque a nossa população está a ficar cada vez mais envelhecida e temos de lutar contra isso (não despenalizando o aborto???)
- As mulheres fazem abortos porque a roupa deixa de servir e o espaço em casa começa a minguar (se eu já não tinha em grande consideração esta senhora enquanto pseudo-escritora, agora muito menos tenho como mulher)
Eu creio que por detrás de uma decisão tão difícil como a que uma mulher tem de tomar muitas vezes em solidão, não estarão razões tão levianas e fúteis como estas. Ao apregoarem este tipo de argumentos, os defensores do Não tentam equiparar a mulher a um ser desprovido de razão e sentimentos. Há quem acredite nestas e noutras “tonterias” que disseminam por aí. Mas eu não. Porque jamais faria um aborto porque a roupa estava a encolher ou a casa a perder qualidades. E acredito que as mulheres que conheço também não.
Sou pelo Sim porque acima de tudo não me considero uma pessoa hipócrita, que fecha os olhos ao que se passa à minha volta.
Sou pelo Sim porque a moral não cabe em códigos penais mas já vi que a hipocrisia cabe.
Sou pelo Sim porque não acho que o défice demográfico não se combate condenando mulheres que em determinados situações da sua vida resolveram não levar a sua gravidez para a frente. Não me parece razoável que o meu país aumente a sua população jovem à custa da perseguição e condenação destas mulheres e pelo crescendo de situações problemáticas a nível económico, social e familiar. Será esta a maneira de incentivar à natalidade, punindo? Aumentando o número de crianças institucionalizadas? Aumentando o número de famílias na miséria?
Os defensores do Não falam muitas vezes nos recursos e no poder que a sociedade civil presta nestas situações. É importante, claro. Mas são ajudas pontuais, que não vão à raiz dos problemas, actuam num determinado momento da vida destas mulheres. É com leis que defendam e ajudem as famílias portuguesas ( a nível de assistência médica, justiça fiscal, protecção ao emprego) que conseguimos combater este flagelo.
Sou pelo Sim, porque acredito que numa sociedade evoluída não haveria tantas mulheres a colocarem a sua própria vida em perigo ao fazerem um aborto por razões de ordem social e/ou económica. Vivemos em democracia há quase 33 anos, não há 33 meses. E o que é que os sucessivos governos que nos têm (des)governado fizeram para combater este flagelo? Pouco ou nada. Pelo contrário.
O Não defende (e bem!) que deve-se combater este problema com educação sexual nas escolas, com melhor planeamento familiar. De acordo. Mas então, o que andaram a fazer ao longo destes 33 anos naquele parlamento estes senhores e senhoras, que estiveram e estão no “poder”, em defesa desta matéria? Com que direito vêm falar de medidas que enchem o ouvido do eleitor menos esclarecido, que sempre adiaram na sua agenda ou nem sequer tiveram a coragem de colocar em prática, ao longo dos sucessivos governos do PS, PSD e PP, como se estivessem agora a descobrir o Ovo de Colombo?
Sou pelo Sim porque as leis que deveriam prevenir o aborto nunca viram a luz do dia, porque vivo numa democracia que tem a minha idade e não a vejo a acompanhar o meu ritmo, porque vivo num país que não tem uma cultura de incentivo à maternidade, espelhado na facilidade de despedimentos e de falta de protecção à mulher grávida ou à profissional que queira conciliar maternidade e profissão, porque a educação sexual nas escolas é um mito urbano, porque Portugal não é só Lisboa e Porto, sou pelo Sim porque não vivo numa sociedade em que o aborto não seja opção, porque sei o país que tenho e em que condições as mulheres que dificilmente tomam esta decisão abortam, porque acho que as mulheres não tomam esta decisão de forma leviana e simplista, por fim, porque acredito que as mulheres merecem ser tratadas com mais dignidade e em condições que não coloquem a sua vida em perigo.
Ontem, por exemplo, vinha a conduzir pela marginal às 9 e meia da noite e ouvi o tempo de antena de dois movimentos em defesa do Não. Alguns dos argumentos que oiço só não me dão vontade de rir porque o assunto é sério demais para isso. Senão vejamos:
- Eu sou contra o aborto porque a nossa população está a ficar cada vez mais envelhecida e temos de lutar contra isso (não despenalizando o aborto???)
- As mulheres fazem abortos porque a roupa deixa de servir e o espaço em casa começa a minguar (se eu já não tinha em grande consideração esta senhora enquanto pseudo-escritora, agora muito menos tenho como mulher)
Eu creio que por detrás de uma decisão tão difícil como a que uma mulher tem de tomar muitas vezes em solidão, não estarão razões tão levianas e fúteis como estas. Ao apregoarem este tipo de argumentos, os defensores do Não tentam equiparar a mulher a um ser desprovido de razão e sentimentos. Há quem acredite nestas e noutras “tonterias” que disseminam por aí. Mas eu não. Porque jamais faria um aborto porque a roupa estava a encolher ou a casa a perder qualidades. E acredito que as mulheres que conheço também não.
Sou pelo Sim porque acima de tudo não me considero uma pessoa hipócrita, que fecha os olhos ao que se passa à minha volta.
Sou pelo Sim porque a moral não cabe em códigos penais mas já vi que a hipocrisia cabe.
Sou pelo Sim porque não acho que o défice demográfico não se combate condenando mulheres que em determinados situações da sua vida resolveram não levar a sua gravidez para a frente. Não me parece razoável que o meu país aumente a sua população jovem à custa da perseguição e condenação destas mulheres e pelo crescendo de situações problemáticas a nível económico, social e familiar. Será esta a maneira de incentivar à natalidade, punindo? Aumentando o número de crianças institucionalizadas? Aumentando o número de famílias na miséria?
Os defensores do Não falam muitas vezes nos recursos e no poder que a sociedade civil presta nestas situações. É importante, claro. Mas são ajudas pontuais, que não vão à raiz dos problemas, actuam num determinado momento da vida destas mulheres. É com leis que defendam e ajudem as famílias portuguesas ( a nível de assistência médica, justiça fiscal, protecção ao emprego) que conseguimos combater este flagelo.
Sou pelo Sim, porque acredito que numa sociedade evoluída não haveria tantas mulheres a colocarem a sua própria vida em perigo ao fazerem um aborto por razões de ordem social e/ou económica. Vivemos em democracia há quase 33 anos, não há 33 meses. E o que é que os sucessivos governos que nos têm (des)governado fizeram para combater este flagelo? Pouco ou nada. Pelo contrário.
O Não defende (e bem!) que deve-se combater este problema com educação sexual nas escolas, com melhor planeamento familiar. De acordo. Mas então, o que andaram a fazer ao longo destes 33 anos naquele parlamento estes senhores e senhoras, que estiveram e estão no “poder”, em defesa desta matéria? Com que direito vêm falar de medidas que enchem o ouvido do eleitor menos esclarecido, que sempre adiaram na sua agenda ou nem sequer tiveram a coragem de colocar em prática, ao longo dos sucessivos governos do PS, PSD e PP, como se estivessem agora a descobrir o Ovo de Colombo?
Sou pelo Sim porque as leis que deveriam prevenir o aborto nunca viram a luz do dia, porque vivo numa democracia que tem a minha idade e não a vejo a acompanhar o meu ritmo, porque vivo num país que não tem uma cultura de incentivo à maternidade, espelhado na facilidade de despedimentos e de falta de protecção à mulher grávida ou à profissional que queira conciliar maternidade e profissão, porque a educação sexual nas escolas é um mito urbano, porque Portugal não é só Lisboa e Porto, sou pelo Sim porque não vivo numa sociedade em que o aborto não seja opção, porque sei o país que tenho e em que condições as mulheres que dificilmente tomam esta decisão abortam, porque acho que as mulheres não tomam esta decisão de forma leviana e simplista, por fim, porque acredito que as mulheres merecem ser tratadas com mais dignidade e em condições que não coloquem a sua vida em perigo.

1 Comments:
Teria mais uns tantos argumentos a acrescentar pelo Sim. E os do Não, se querem ajudar as mulheres para não abortarem, que ajudem, se o conseguirem tanto melhor. A mudança da Lei não invalida o trabalho de algumas instituíções como a Ajuda de Mãe ou Ajuda de Berço, mas deixem mudar esta lei obsoleta. E no entanto, eu acredito que há vida desde a concepção; mas também aceito que para muitas, seja inevitável a interrupção voluntária da gravidez.
A vida é assim mesmo, cheia de paradoxos.
Enviar um comentário
<< Home